sexta-feira, 31 de março de 2006

Os filmes d'Orsay

Hoje enquanto desfolhava o jornal do costume, foi com espanto e grande curiosidade, que soube da noticia que 4 cineastas (Jim Jarmusch, Olivier Assayas, Hou Hsiao-Hsien e Raoul Ruiz) foram convidados pelo Museu D'Orsay a realizarem um filme sobre o mesmo. Apenas com a condição de que este apareça de vez em quando. Sendo uma apaixonada pelo Museu D'Orsay, vou certamente ficar a aguardar com muita expectativa.
Ella

quinta-feira, 30 de março de 2006

RXRA

O último post da Ella falava do (supostamente) famoso "Grand Bleu" (ou BigBlue, ou ainda Vertigem Azul!). Como "Ella" sabe e mais alguns amigos íntimos provavelmente, este é um filme fetiche para mim. Por uma razão simples: a descoberta da importância de uma banda sonora! Isto aconteceu, não quando vi o filme pela primeira vez, mas sim porque a minha "chère Mère" me comprou uma cassete com a banda sonora que eu viria a apreciar plenamente durante uma viagem de TGV com a minha avó (ufa, tá complicado). Portanto foi quase uma coisa de família! Mas quem é então esse compositor? Eric Serra, o compositor preferido do realizador Luc Besson, que juntos fizeram maravilhas como: Léon; Nikita; Atlantis; The 5th Element e o Grand Bleu, só para citar os muito bons. Subway, Kamikaze (não vi) e Jeanne D'arc para completar a lista dos dois associados. Eric Serra também tem um album pop (RXRA, o senhor é baixista) e algumas colaborações com filmes hollywoodescos (Golden Eye, Bullet Proof, Rollerball, etc).
Pronto, e agora também quero fazer música para filmes mas ninguém quer fazer filmes comigo!
Depois, quando eu for rico e famoso com um Oscar na mão, vão andar por aí a pedinchar. Ah, ah!
LOUIS

quarta-feira, 29 de março de 2006

Saudades

A chuva começa a cair pela madrugada ... a água que cai são lágrimas de saudade... o vento forte sopra, deixando-me sem forças... mas o coração continua chamando por ti...
O teu olhar... uma recordação de um momento... o teu rosto... o carinho... e os meus lábios pensando nos teus...

Hoje aqui, distante.... sentindo a saudade apertando... queria estar contigo para te sentir... para te mostrar o quanto te amo... mas resta-me deixar o tempo passar... para nos teus olhos navegar e nos teus lábios voltar a respirar...

Espero por ti amor... no meu coração...

terça-feira, 28 de março de 2006

Metade da minha alma é feita de maresia

(Sophia de Mello Breyner)

La plongée est l'action de descendre rapidement, de s' immerger dans un liquide.
(in Wikipedia)


What does it feel like when you dive? (Johanne)
It feels like slipping without falling. The hardest thing's when you're at the bottom. (Jacques)
Why? (Johanne)
Because you have to find a good reason to come back up. (Jacques)
(Le Grand Bleu, filme de Luc Besson - 1988)

Photos by Louis.

Ella

sexta-feira, 24 de março de 2006

Vamos fazer amigos entre os animais

Cada vez mais estudos demonstram que crianças que crescem na companhia de animais de estimação tem um risco reduzido de desenvolver as alergias mais comuns, menor propensão a apresentar problemas de hipersensibilidade e a ter canais de ventilação facilmente irritáveis - que se trata de um factor de risco para asma. Durante muito tempo pensou-se o contrário. Neste momento considera-se a hipotese de que as endotoxinas produzidas por bactérias dos animais forcem o sistema imunológico do organismo a desenvolver um padrão de resposta que é menos propenso a desencadear reações alérgicas.
Na minha casa, desde que comecei a crescer na barriguinha da mamã até hoje, sempre tivemos cães. Quando cheguei da maternidade a minha Ronda fez uma birra - afinal era como uma irmã mais velha. Mas não durou muito, apaixonamo-nos e desde aí tomou conta de mim, sempre. Dormia aos pés do meu berço, comia os caramelos que a avó me dava, fazia-me cócegas nos pés, deixava-me dormir em cima dela e ainda hoje afugenta os monstros que deambulam pelos meus pesadelos. Hoje é a minha Blackie que está a ficar velhota, a minha companheira e confidente, crescemos muito as duas. Mesmo que passem meses sem visitarmos o nosso esconderijo no parque, ela descobre sempre o caminho até ele. O ano passado chegou o Airbus, o papa-açorda que conquistou o meu coração e que gosta de me fazer sorrir. Quando era pequena todos os fins-de-semana ia para a quinta dos meus tios, e onde com os primos me emporcalhava entre cavalos, galinhas, ovelhas, cabras, patos, gatos e afins... Eramos muitos felizes e nenhum de nós tem ou teve alergias, ou mesmo asma. Gostei de crescer assim, mesmo que outros estudos provem o contrário, será certamente assim que vou querer educar os meus piolhinhos!
Ella
Photo superior by J.L.

Jules Verne (1828-1905)


"Cést au moyen de ces simples cordes que le professeur Lidenbrock, son neveu et son guide vont s'enfoncer verticalement dans les profonders du globe... "


Decent verticale, pag. 169
In Voyage au centre de la Terre - Jules Verne



Júlio Verne (8 de Fevereiro 1828, Nantes - 24 de Março 1905, Amiens) escritor francês, um visionário, um autor antes do seu tempo.

Filho mais velho de um total de cinco filhos de Pierre Verne, advogado, e Sophie Verne.

Considerado o pai da ficção científica. Muito antes dos avanços científicos e tecnológicos o permitirem, já Júlio Verne falava sobre submarinos, máquinas voadoras, viagem à lua, etc..

Biografia: UNMuseum.org

quinta-feira, 23 de março de 2006

Natureza e Eu

Caminho pela rua sentindo um cheiro primaveril no ar. Por cada passo que dou sinto uma enorme satisfação por estar onde estou. Apetece-me voltar atrás e passar no mesmo sítio novamente, como desejando um deja-vu. Por entre as folhas verdes das árvores espreita a lua cheia, ela ilumina o meu destino por mais que pense que é traiçoeira. Na calçada sombria a cor branca das pedras confunde-se com o amarelo das flores. Uma perfeita sintonia de cor e cheiro invade-me o coração.

Não consigo pensar em mais nada, sinto uma satisfação enorme por estar a caminhar. Apetece-me correr pela rua fora, apetece-me trepar a tudo o que está à volta, apetece-me libertar das opressões, apetece-me ser o que realmente sou... apetece-me fazer parte da natureza.

Uma leveza espiritual tomou conta de mim, como se tivesse sido drogado, tudo à volta não interessa, sou apenas eu e ela. Uma cumplicidade interessante, eu gosto, ela também gosta e cada vez está mais bonita. Sinto que se não fosse parte dela, ela seria parte de mim.

Sinto.. E contente caminho.
Amanhã ás 21h15m, a nova série do Gato Fedorento estreia na RÊTÊPÊ (RTP 1)... e será com certeza para não perder!
´
Ella

"The cat is out of the bag"

A Biblioteca Nacional tem um Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea contendo informação sobre alguns dos autores associados às correntes de pensamento mais marcantes dos dois últimos séculos (a Geração de 70, o Grupo de Orpheu, o Grupo da Seara Nova, o Grupo da Presença e o Grupo Surrealista) bem como documentos e manuscritos, por eles produzidos e coleccionados.



A cereja em cima do bolo é o espólio de Fernando Pessoa. Dizem-nos que: "O projecto «Manuscritos de Pessoa em linha» inicia-se com a poesia de Fernando Pessoa em língua portuguesa, abrindo com o heterónimo Alberto Caeiro. O objectivo é ir colocando à disposição dos investigadores e do público em geral os documentos que constituem o espólio de Fernando Pessoa (BN Esp. E3), actualmente constituído por 105 caixas, que foi incorporado no Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea (ACPC) em 1981."

Aqui podemos encontrar tesouros como o fac-simile do manuscrito d' O Guardador de Rebanhos."
Desculpem o pleonasmo, mas não há nada igual ao original! Espero ansiosamente que o resto do espólio do "Nando" esteja disponível.

quarta-feira, 22 de março de 2006

flor és tu


meigo sentir

aroma de emir

alma de enleio

vida que veio


flor és tu


tanto aqui

sempre dali


mesmo de cor

quando na dor


flor és tu


raiz da semente

ver de repente

terra da luz

calma no azul


flor és tu

enebrias o ser

encantas o sol

giras no tudo

flor és tu.

Picture: para os olhos a arte de shitao.

terça-feira, 21 de março de 2006

Dia Mundial da Poesia

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

Ricardo Reis

Photo: Port-Vendres ao lusco-fusco by Madame Mayoly.
Ella

segunda-feira, 20 de março de 2006

Anime

Anime, o que são? São apenas desenhos-animados de origem japonesa. Mas isso não é só para putos? Não, porque as histórias dos anime são maioritariamente tiradas de mangas (banda-desenhada japonesa) que se destinam em quase 50% aos adultos (crianças mais crescidas, melhor dizendo!). Ou seja, o mundo do anime não é só Dragon Ball. Embora muito viciante na altura, a maioria dos poucos leitores deste blog já têm idade para começar a ver outras coisas. Que coisas, perguntam vocês? Já faço uma listinha. Queria só também referir que se encontram verdadeiras pequenas jóias artísticas nestas séries ou filmes. Uma animação muito boa, histórias originais e, last but not least, geralmente uma música não menos fantástica! Pronto, chega de conversa, para concordarem comigo basta fazerem umas pesquisas "googleianas" e tentarem ver alguma coisa. Cá vai a lista:
-Ghost in the Shell 2: Innocence (Mamoru Oshi) sobretudo porque está em algumas poucas salas de cinema deste país neste momento. Antes deste e do mesmo realizador o 1º Ghost in the Shell também é fantástico. Para além destes filmes existe a série Ghost in the Shell: Stand Alone Complex, muita adulta e bem feita (à venda na Fnac!).
Filmes: Akira; Steamboy; Cowboy Bebop; Metropolis; Blood the Last Vampire; Perfect Blue; Viagem de Chihiro; Princessa Mononoke; Patlabor; Macross Plus; Ninja Scroll e chega para não assustar.
Séries: Cowboy Bebop (o filme é apenas um episódio mais longo. Recomendo muito esta série!); Animatrix; Robin; Samurai Champloo.
Há mais mas acho que já estão aqui muitas horas de visionamento. Quem tiver mais sugestões tem os comments à disposição.
Para acabar encontrei este link que tem muita música de anime. Procurem a Yoko Kanno e Cowboy Bebop, é só clicar no botão direito e...directo para o Ipod!
Always watch good moves, LOUIS.

domingo, 19 de março de 2006

Ao Papá

... I love you too and until now
I've never said those words out loud
I hope you're proud
To be my dad...
What are your secrets, do you pray
Is there a god that shows your way
I wish I knew...
Do you have crazy fantasies
What happens in your dreams
I want to know...
I guess you'll always be a mystery to me
But you taught me how to value life
And what else do I need
I have a dad who watches over me

Dad, K's Choice
Ella

França volta a sair à rua!

Nos últimos dias, os tumultos voltaram ás ruas de Paris e de muitas outras cidades francesas, mas desta vez os motivos são outros. E desta vez não são carros a serem incendiados no meio da noite, mas sim manifestações com dezenas de milhares de pessoas. O principal motivo é a solução do primeiro-ministro Dominique de Villepin para facilitar a criação de empregos, encorajando as empresas a admitirem jovens recém-licenciados, e designa-se de CPE - Contrato de Primeiro Emprego. E à custa de quê? De uma maior facilidade de despedimento, sem justa causa ou indeminização, ao longo dos primeiros dois anos de emprego. Os partidos de esquerda, os sindicatos, e a juventude francesa contestam este contrato que visa substituir o que se encontra em vigor, o CDI - Contrato de duração indeterminada - que garantia um emprego estável e direitos. Para quem quiser ler mais.
Não sei quanto a vocês... mas gosto sempre de ver pessoas que se preocupam, e não se limitam a comentar sentadas no sofá! Triste é saber que em todo o lado existe gente estúpida, sem causas, que faz questão de provocar momentos de violência.

Ella

sexta-feira, 17 de março de 2006

IV Festa do Jazz do São Luiz


É já nos próximos dias 31 de Março, 1 e 2 de Abril que se irá realizar mais uma festa do Jazz no teatro São Luiz. Tal como nos vem habituando, este evento vai juntar profissionais nacionais consagrados e os aprendizes do métier, num habiente sempre acolhedor. Este ano a Festa do Jazz contará ainda com um convidado especial, o saxofonista David Binney. À semelhança de anos anteriores vai poder contar-se com: a apresentação de combos de diversas escolas nacionais no Jardim de Inverno (entre as 14h00 e as 19h00); 2/3 concertos por noite na Sala Principal e no estúdio Mário Viegas; as master classes com o Bernardo Sassetti (1 de Abril, piano) e o David Binney (2 de Abril, saxofone); uma feira de discos; e, tal como o ano passado, o Ensemble Festa do Jazz irá interpretar e estreiar 5 obras encomendadas a compositores portugueses (entre eles : Andreia Pinto Correia, Nélson Cascais, Mário Laginha, Tomás Pimentel e Afonso Pais).
Como destaque a não perder, recomendo:

31 Março :

Sala Principal – 21h30:
Bernardo Sassetti / Ascent Trio2
Ajda Zupancic - violoncelo, Jean François Lezé - vibrafone, Bernardo Sassetti - piano, Carlos Barretto - contrabaixo, Alexandre Frazão - bateria.

Sala Principal – 23h00:
Ensemble Festa do Jazz
Interpreta composições originais de: Andreia Pinto Correia, Nelson Cascais, Mário Laginha, Tomás Pimentel, Afonso Pais.
João Moreira - trompete, Carlos Martins – sax tenor, Perico Sambeat - sax alto, Nuno Ferreira - guitarra, Jesse Chandler- piano, Paco Charlín - contrabaixo, Bruno Pedroso – bateria.

1 de Abril :

Estúdio Mário Viegas – 20h00:
Quinteto de Mário Santos “Bloco de Notas”
Mário Santos – sax tenor e alto, José Pedro Coelho – sax tenor e soprano, Rui Teixeira – sax barítono e alto, António Augusto Aguiar – contrabaixo, Michael Lauren – bateria.

2 de Abril:

Jardim de Inverno – 24h00
: SPJ Group & João Guimarães “Tributo a Charlie Parker”
Seminário Permanente de Jazz de Pontevedra (Galiza)
Nacho Pérez - guitarra, Xan Campos - piano, José Ferro - contrabaixo, Max Gómez - bateria, João Guimarães – sax alto.

Apareçam por lá!
Ella

quarta-feira, 15 de março de 2006

Principessa procura castelinho!

Helping the kids out of their coats
But wait the babies haven't been born
Unpacking the bags and setting up
And planting lilacs and buttercups

But in the meantime I've got it hard
Second floor living without a yard
It may be years until the day
My dreams will match up with my pay

Old dirt road
Knee deep snow
Watching the fire as we grow old

I got a man to stick it out
And make a home from a rented house
And we'll collect the moments one by one
I guess that's how the future's done

How many acres how much light
Tucked in the woods and out of sight
Talk to the neighbours and tip my cap
On a little road barely on the map

Old dirt road
Rambling rose
Watching the fire as we grow, well I'm sold

Mushaboom,
by Feist
Ella

terça-feira, 14 de março de 2006

Hoje o céu está mais azul

Acordei, abri a janela e o céu azul inundou o meu quarto. Uma brisa primaveril entrou e salpicou-me de sonhos. Será que a Primavera já chegou? Ou será o Calima? De qualquer das formas sabe bem, sabe muito bem! Ups... já tou atrasada. E não é todos os dias que a fadinha desce do Yorkshire para tomar o pequeno almoço comigo. Fadinha sempre fabulosa espalhou os pózinhos de prelim-pim-pim, e depois voou! É bom termos uma fadinha sorridente. O dia continuou sorridente, rápido e ocupado. A meio da tarde rumei ao jardim da Gulbenkian para fazer tempo até à hora marcada. Entre árvores escpectrais retiradas de um filme Tim Burtoniano... lá estáva a primavera a espreitar... aqui e ali! Como um esperança, uma promessa. Afinal sempre é verdade, suavemente a Primavera anúncia a sua chegada. Basta deixar a janela aberta...

Ella

segunda-feira, 13 de março de 2006

Lee Konitz com OJM

Concerto na Casa da Música no domingo 12 Março 2006. Impressões boas e bastantes más. Boas pela boa disposição do "já nada novo" Lee Konitz que, em poucos segundos do início do concerto, mostrou que poucas notas, um som único e a procura da melhor frase no momento certo são os ingredientes mínimos necessários para cozinhar um jazz digno dos grandes. Lee Konitz começou sozinho o "I remember you" que a Orquestra Jazz de Matosinhos viria a completar. Arranjos de Ohad Talmor sobre temas de Konitz e alguns standards. E aí começaram os problemas. Uma captação de som muito pouco digna para a sala 1 da Casa da Música (o piano mal se ouvia quando estava a solo! Os trombones a arrasar com todos os outros instrumentos!). Mas sobretudo uma orquestração massiva, confusa, sobretudo exagerada. O senhor francês Ohad Talmor tem muita técnica de escrita, muitos recursos, mas tem sobretudo muito de muito. O Lee Konitz espanta-nos com a sua simplicidade (pela positiva), o Ohad Talmor espanta-nos com 500 mil variações em escassos segundos (para quem goste...). Acho que a OMJ fez o que pôde, encontrando aqui um bom desafio para tocar um repertório demasiado "muito". Por motivos desconhecidos, a orquestra teve como convidados extra o André Fernandes na guitarra (que esteve muito bem nos breve momentos em que apareceu) e Mário Barreiros na bateria. Ao que parece desta colaboração sairá um futuro CD para o mercado. E pronto. Aconselho todos a arranjar gravações do grande (e simpático) Lee Konitz!
LOUIS

sexta-feira, 10 de março de 2006

Em semana de Dia da Mulher

Dia 8, para quem não deu por isso, foi Dia da Mulher. Hoje andava eu a ler os blog's do costume e dei com este pequeno texto que me pareceu indicado para as devidas reflexões sobre a mulher e a sociedade:
"Senhor Presidente Cavaco Silva, como é que vai conseguir conciliar as responsabilidades deste alto cargo com as suas obrigações familiares?"Pergunta tola, dir-se-á. (....) Nem por isso. Foi exactamente esta pergunta que fizeram, no mês passado, à recém-eleita Presidenta do Chile, Michelle Bachelet. Uma mulher, claro. Só a uma mulher nos lembramos de fazer uma pergunta assim(....) Além disso, e dado que Michelle Bachelet é divorciada, alguém perguntou-lhe mesmo se não iria ser mais difícil suportar as agruras do cargo "sem os carinhos" de um parceiro lá em casa. Mas a senhora também respondeu à letra: "Adorava que, se neste meu lugar estivesse agora um homem, lhe fizessem exactamente esse tipo de perguntas. Desafio a que o façam no futuro..." E mais disse aos jornalistas: "Quando eu nomear algum ministro, não se esqueçam de o questionar sobre como vai equilibrar as coisas entre o trabalho político e a vida familiar, como vai ser quanto à casa, quanto aos filhos, etc..."Mas não, nunca fazemos essas perguntas aos homens. Nem eles as fazem a eles próprios.
Joaquim Fidalgo, no Público

Photo by Henry Cartier-Bresson (acho que não preciso dizer de quem se trata, espero que ninguém tenha duvidas de quem é esta feminista!)

Ella

quinta-feira, 9 de março de 2006

Calima

Foto: NASA

Os espanhois chamam-lhe Calima, em Inglês designa-se Dust Storm.
Aparentemente, parece uma nublina.
Acompanhada de muito calor,
esta nuvem de pó faz-nos recordar a proximidade ao deserto do Sahara.

É o deserto a soprar o oceano...

terça-feira, 7 de março de 2006

Parte II : Brokeback Mountain

Ontem foi dia de retomar as idas ao cinema e com tantos filmes em falta, foi difícil escolher. Acabámos por optar pelo que estáva à mais tempo em cartaz e que, portanto, numa 2ªfeira à noite estaria mais sossegado - Brokeback Mountain. O filme mais falado e aclamado do momento, no bom e no mau sentido - já ouvi de tudo! Mal me sentei, ouvi o tipo atrás de mim comentar: "viemos ver um filme de paneleiros, não sei se estou preparado para isto!". E pensei: "só espero que guarde estes pensamentos idiotas para si durante o filme". Assim foi, daquela triste alminha nada mais se ouviu - pelos vistos esteve entretido! GOSTEI DO FILME, gostei mesmo! A única coisa que tenho a apontar é que a meio torna-se um pouco lento demais. Em nada achei, como já tinha ouvido comentar, que as cenas eram gratuitas. Muito pelo contrário, estão no sítio e no momento certo. Para mim é uma história universal, uma história de amor vivida por duas pessoas que o tempo, a vida, e os conflitos interiores pessoais teimam em afastar. E isto acontece todos os dias em todo o mundo. Partilhei o sofrimento deles e chorei... como choro sempre que o amor não triunfa. Sem dúvida que ás vezes o nosso pior inimigo e o maior obstáculo à nossa felicidade, somos nós proprios. Resta-me ainda dizer que as interpretações de ambos (Heath Ledger e Jake Gyllenhaal) são 5 estrelas, extremamente credíveis, principalmente o Heath que bem merecia um óscar (não desfazendo o Philip Kaufman, mas ainda não vi o filme dele!). Parabéns ao Ang Lee que soube como fazer um filme difícil de uma forma inteligente. A prepósito, o melhor comentário que li ao filme foi o do Nuno Markl, pelo menos compartilho da opinião dele...

Enquanto pensava e escrevia este post, lembrei-me deste pequeno poema que adoro...

Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e separa.

Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti eu criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Ella

Em rescaldo de Óscares... vamos falar de filmes! - Parte I

Este fim-de-semana o Louis esteve doente. Como todo o homem doente, virou menino. Com o tempo cinzento que teimava em persistir, acabámos por esticar o corpo e a mente no sofá, e enchemos a barriga de filmes. Vimos o Virgem aos 4o, que se tornou uma alegre surpresa e uma grande gargalhada. Dúvido sempre deste tipo de comédias main-stream made in USA, com todos os clichés com que os americanos aparentemente gostam de rir, mas desta vez as criticas sempre tinham razão. Para acabar em beleza, terminámos com o Wallace and Gromit - A maldição do Coelhomem, que perdemos no cinema e foi finalmente lançado o DVD. E o que dizer de um filme muito bom, em que se sente que foi feito com muita dedicação e carinho?! Cada momento, cada piada, cada detalhe, cada movimento foi pensado ao pormenor, e é fruto do amor de Nick Park e Steve Box (mais vagamente da Aardman) por estes bonecos. Em tudo merecedor do òscar (aplausos), e com muita pena minha que adorei o Corpse Bride (Tim o teu óscar não tarda!). A não perder!

Ella

domingo, 5 de março de 2006

Para o meu menino do piano...


Vi um menino, com um piano,
No céu da minha cabeça,
Veio de tão longe, só para me pedir,
Que nunca o esqueça.

Vinha tocar o seu piano,
Como só nos sonhos pode ser,
Por entre as núvens e as estrelas,
Apareceu, quando me viu, adormecer.

Ficou sentado, perto de mim,
Onde mora a fantasia,
Quis-lhe tocar, mas não se pode ter,
A noite a iluminar o dia.

Soprou devagarinho, uma estrela,
Que se acendeu na sua mão,
Disse-me podes sempre vê-la,
Se souberes soprá-la no teu, coração.

Vi um menino, com um piano,
A despedir-se de mim,
Como uma núvem, fez o mar e partiu,
Nos sonhos pode ser assim.

Disse-me está a nascer o dia,
Vou para onde a noite se esconder,
Volto com a primeira estrela,
Para tu nunca teres medo, ao escurecer.

O menino do piano,
Mafalda Veiga
Ella

sexta-feira, 3 de março de 2006

Yann Tiersen


Concerto no CCB segunda 27 de Fevereiro, 21h. Verdade seja dita, não sabia de todo o que me esperava. Um concerto do compositor da Amélie Poulain e Goodbye Lenine entre outros filmes. O quê que ele toca? Vai ser Amélie durante 1h30? Vai tocar sozinho? Não devia ter ficado em casa e mascarar-me de... Lenine?
Pois o senhor bretão toca muita coisa (5 ou 6 guitarras diferentes, piano eléctrico "vintage", acordeão, voz, violino, 2 mini-pianos) e safa-se muito bem, numa vertente popular plenamente assumida, da qual sobressai uma "folia folclórica" que dinamiza todo o grupo. O grupo são mais 4 elementos, guitarra, baixo, bateria e "ondes martenot" (uma espécie de theremin com teclado, fiquem à espera do meu próximo post!). Mas não pensem que este ultimo instrumento é o único toque original do grupo. O "todo" surpreende o espectador constantemente com o uso de engenhos estranhos sobre os instrumentos para produzir sons bizarros que se integram perfeitamente em cada música. Fica na memória a serra do baterista, e uma espécie de batedeira aplicada à guitarra. E a música propriamente dita? Algumas passagens a solo do Tiersen, algumas poucas músicas da Amélie e sobretudo muito rock! Pelos vistos tirado do album "les retrouvailles". O grande auditório do CCB "arockalhou" durante 2 horas, conseguindo manter o interesse da audiência até ao fim com uma série de encores. A música de Tiersen é sem dúvida sedutora, carregada de uma aparente simplicidade muito agradável de ouvir. Tem um estilo bem próprio (o sonho de qualquer "artista"), com o que isso tem de bom e de mau. Muita personalidade mas alguma repetição e falta de reinventividade ao longo do concerto, fácilmente desculpável com a constante exploração tímbrica dos intrumentos. Portanto se tiverem a possibilidade de ver o senhor Tiersen ao vivo, não hesitem! Bom concerto.

LOUIS