sexta-feira, 28 de julho de 2006

Procuro-me onde sempre me encontro... junto ao MAR!



Há muito que deixei aquela praia
De grandes areais e grandes vagas
Mas sou eu ainda quem na brisa respira
E é por mim que espera cintilando a maré vasa
Há muito

O mar azul e branco e as luzidias
Pedras – O arfado espaço
Onde o que está lavado se relava
Para o rito do espanto e do começo
Onde sou a mim mesma devolvida
Em sal espuma e concha regressada
À praia inicial da minha vida.
Inicial

Sophia de Mello Breyner Andresen

Photo by Ella.

terça-feira, 18 de julho de 2006

Dias Felizes... Dias Tristes...



Li algures que segundo um estudo realizado pela New Economics Foundation (uma ONG Inglesa), Portugal é o 136º país mais feliz do mundo dos 178 estudados. Ao que parece o país mais feliz do mundo é o Vanuatu, arquipélago de 83 ilhas no Pacifico, onde já se realizou o programa Survivor. Pelas fotos acho que dá para perceber a felicidade de viver lá! Voltando ao Happy People Index (HPI), este é calculado de forma a incorporar 3 indicadores: "ecological footprint", "life-satisfaction" e esperança de vida. "The HPI reflects the average years of happy life produced by a given society, nation or group of nations, per unit of planetary resources consumed. Put in another way, it represents the efficiency with which countries convert the earth’s finite resources into well-being experienced by their citizens." Para quem estiver interessado em saber mais, dirija-se aqui... E para quem quiser calcular o seu próprio HPI, dirija-se aqui. Good Luck! Eu neste momento dispenso, acho que vou dar um pulo até ao Vanuato, pode ser que as coisas melhorem! Alguém sabe onde compro o bilhete??
Ella

PS... as fotos são um escape para todos aqueles que como eu não podem fugir! Ainda por cima parece ser um paraíso para o mergulho, acho que era capaz de ser feliz... e vocês... não?!
PSS... porque será que me veio à cabeça este fado??

Fado - palavra que vem do latim fatum, ou seja, "destino". De origem obscura, terá surgido provavelmente na primeira metade do século XIX.

Ó Gente da Minha Terra
Amália/ Tiago Machado

Ó gente da minha terra
Agora é que eu percebi
Esta tristeza que trago
Foi de vós que a recebi

É meu e vosso este fado
Destino que nos amarra
Por mais que seja negado
Às cordas de uma guitarra

Sempre que se ouve o gemido
De uma guitarra a cantar
Fica-se logo perdido
Com vontade de chorar

E pareceria ternura
Se eu me deixasse embalar
Era maior a amargura
Menos triste o meu cantar

quinta-feira, 13 de julho de 2006

My Song



À muito tempo que não se fala de música neste blog, que vergonha Louis! Com o concerto do Keith Jarrett quase quase aí (os bilhetes esses já estão comprados)... apetece-me hoje falar sobre este cd. Podia falar num sem fim de bons cd's do Jarrett nas mais variadissimas formações, podia também falar nos mais emblemáticos a solo como o Koln Concert ou o Facing You... esses são especialíssimos. Este senhor é sem dúvida uma das bandas sonoras da minha vida desde pequenina, pois o meu papá era um afficionado. E este cd é absolutamente melodioso, harmonioso e suave (apesar do som mais que típico dos sax's do Sr. Garbarek), tal e qual um bom domingo de manhã. A tomar o pequeno almoço no sofá de pijama enquanto o papá toma o café e lê o jornal. Há cd's assim. Que me remetem para este universo e para essa traquilidade. Muitos até. Sabe bem depois de um dia mais que complicado pôr o cd, esticar as pernas e pensar em dias assim. Este como outros... I know by heart! Aconselho vivamente a todos! Todos mesmo!
Ella

MY SONG, ECM 1977/11
Keith Jarrett Piano, Percussão
Jan Garbarek, Saxofone Tenor e Soprano
Palle Danielsson, Baixo
Jon Christensen, Bateria

segunda-feira, 10 de julho de 2006

O Amanhã


Hoje é assim... vou suster a respiração e aguardar. Todo o peso do amanhã suspenso no vazio, todo o insustentável peso de ser equilibrando-se no fio da navalha. Dada a natural tendência para a asneira talvez seja preferível desejar o melhor e esperar o pior. Prepara-se o ser. E o que vier... voilá! O passado ensina-nos que o mais profundo golpe sara em tempo devido. Deixa cicatriz mas sara. E essa cicatriz não é mais que o mapa dos caminhos percorridos, a memória intemporal que não nos deixa voltar atrás e perder o rumo. Assim, espero hoje pelo futuro... em paz... quer com o passado quer comigo! Em paz...
Ella


Encostei-me para trás na cadeira de convés e fechei os olhos,
E o meu destino apareceu-me na alma como um precipício.
A minha vida passada misturou-se com a futura,
E houve no meio um ruído do salão de fumo,
Onde, aos meus ouvidos, acabara a partida de xadrez.
Ah, balouçado
Na sensação das ondas,
Ah, embalado
Na idéia tão confortável de hoje ainda não ser amanhã,
De pelo menos neste momento não ter responsabilidades nenhumas,
De não ter personalidade propriamente, mas sentir-me ali,
Em cima da cadeira como um livro que a sueca ali deixasse.

Ah, afundado
Num torpor da imaginação, sem dúvida um pouco sono,
Irrequieto tão sossegadamente,
Tão análogo de repente à criança que fui outrora
Quando brincava na quinta e não sabia álgebra,
Nem as outras álgebras com x e y's de sentimento.

Ah, todo eu anseio
Por esse momento sem importância nenhuma
Na minha vida,
Ah, todo eu anseio por esse momento, como por outros análogos —
Aqueles momentos em que não tive importância nenhuma,
Aqueles em que compreendi todo o vácuo da existência sem inteligência para o
compreender
E havia luar e mar e a solidão, ó Álvaro.

Álvaro de Campos

sábado, 8 de julho de 2006

Melancolia do "pequeno" Tim Burton


A Morte Melancólica do Rapaz Ostra, conhecem? 23 contos, alguns pequenos e outros "muito pequenos". São as histórias de pequenas personagens com um destino incerto, por vezes também muito pequeno (a morte espreita em cada um desses contos!). Um pequeno condensado de humor negro e drama fantástico metidos num pequeno livro da autoria de Tim Burton. Cada personagem tem também direito a um pequeno desenho próprio do autor, que enriquece assim esta pequena jóia para pequenos e graúdos (não demasiado sensíveis à melancolia...). Recomendo vivamente a versão em inglês (a portuguesa encontra-se esgotada, temos pena).
PS: Ouvi por aí dizer que alguém fez música para este pequeno universo...
LOUIS

quinta-feira, 6 de julho de 2006

Conto Tradicional da Salamandra Viscosa

Carissimos, este post é dedicado à Ella, por vários motivos, tantos que poderia ficar aqui o resto do dia a enumera-los, mas opto por dizer apenas dois:
1. resposta ao post anterior onde descaradamente a Ella colocou um desenho da minha co-autoria,
2. para não ter a mania que só ela é que vai ao "baú da história" buscar relíquias antigas.

No seguimento da nossa conversa ontem: " - vou despejar estes dossiers, nunca mais vais olhar para isso". Cheguei a casa, olhei para uma das estantes e disse: não é tarde nem é cedo, arranjei um saco de plástico de alças bem grande e comecei a desfazer-me de "histórias" no intuito de construir novo espaço para novas histórias!

Descobri esta pérola. Lembro-me perfeitamente disto, andavamos no 10º ano, eramos colegas de carteira de Língua Portuguesa e a nossa professora certo dia disse: quero que escrevam um conto tradicional...

Aqui está a versão fac-símile, original, sem qq correcção à posteriori, a versão original.

Toma Ella, é para ti!


Conto Tradicional

Introdução
Este conto tradicional foi recolhido algures no nosso país. Antes de ser escrito foi passado oralmente de geração em geração, de avós para netos de e de pais para filhos. ara hoje podermos ler este conto, nós alunas do 10º ano, tivemos que investigar, passar horas com a população, horas que não dormimos por estarmos a investigar; Mas o resultado é este: o Conto Tradicional, mais famoso de todos os tempos.O conto da Salamandra Viscosa que não sabia nadar (yô!)

O conto da Salamandra Viscosa que não sabia nadar (yô!)

Era uma vez, uma linda rapariga, filha de um humilde, que vivia numa floresta.Quando ela tinha apenas 3 anos a sua mãe morreu, e desde então que passava os dias sozinha e triste, na sua fria e isolada casa na floresta.
Um certo dia sentindo-se tão só, resolveu ir dar um passeio até ao rio. Foi então que viu, um belo rapaz montado no mais lindo cavalo que ela vira até àquele dia.Mas também ele estava triste e só, porque não tinha amigos. Ao ver a linda rapariga o rapaz ficou deslumbrado com tanta beleza e logo meteu coversa com ela.
Como ambos passavam os dias sozinhos, começaram a econtrar-se todos os dias no rio. Embora separados pela forte corrente, rapidamente se aperceberam que o que sentiam um pelo outro era amor, puro e inocente.
Porém um dia o jovem não foi ter com a rapariga, e ela ficou muito preocupada, pois não sabia a verdadeira identidade do jovem. Ele não era mais do que um príncipe, cujo pai queria que ele se casasse com uma rica rapariga do reino, mas que era na verdade uma bruxa má. Como ele amava a linda rapariga, não queria casar com a bruxa e resolveu fugir do reino. Mas a bruxa indignada resolveu segui-lo para se vingar. Quando encontrou o principe decidiu vingar-se dele transformando-o em salamandra viscosa.
Como não tinha mais ninguéma quem recorrer, o príncipe foi ter com a linda rapariga.
Quando chegou à margem do rio e viu a sua amada do outro lado, atravessou o rio a nado para ir ao seu encontro. A linda rapariga assustou-se, pois tinha medo de salamandras. Mas o príncipe mesmo transformado conseguia falar e então disse para a rapariga não ter medo e contou-lhe a sua história. Ela, como nutria também por ele um grande amor, perguntou-lhe o que poderia fazer por ele e ele disse-lhe que o feitiço passava se ela lhe desse um beijo. E foi então que ela lhe deu um beijo e ele se transformou no belo príncipe por quem ela se tinha apaixonado.
O príncipe levou-a para a corte, casaram e viveram para sempre felizes no seu ninho de amor.


FIM

P.S. - Já agora... o texto é rematado com um satisfaz muito

Bikinis... quem não gosta ponha o dedo no ar?


Para quem não conhece a história... foi há 60 anos que um engenheiro mecânico (go figure!) francês Louis Réard se lembrou de inventar o dito Bikini. Na altura apesar de não ter as dimensões micro de alguns da actualidade era absolutamente chocante. A 30 de Junho de 1946, depois de terminada a Segunda Guerra Mundial (1939-45), os norte-americanos testaram uma bomba atómica na ilha do Pacífico Atol de Bikini, deixando o mundo inteiro chocado (para variar!). Louis Réard querendo causar com a sua invenção o mesmo efeito bombástico da bomba e "rebentar com as ideias conservadoras da sociedade", baptizou a sua criação de Bikini.
E esta hein??? Uma história curiosa ou como diz a minha Fadinha "estes franceses têm mesmo a mania!"!
Ella

segunda-feira, 3 de julho de 2006

Café Central



Não me lembro de quando entrei lá pela primeira vez. Como sempre acontece com os sítios que nos acompanham desde a meninice, e neste caso desde a barriguinha da mamã. Mas desde sempre os unicórnios me fascinaram. E ainda fascinam. Antes a minha imaginação voava com eles enquanto raspáva com a colher os deliciosos pastéis de nata.
- Ouviste o que a mamã disse?
- Ãnh? Desculpa estáva a voar, mas já estou aqui outra vez.
Lembro-me dos desenhos nas manhãs de sábado enquanto a mamã ia à praça e o papá fumava um cigarro, lembro-me das torradinhas ao lanche quando os ia buscar ao trabalho, lembro-me dos sorrisos nas caras conhecidas de sempre, lembro-me das conversas cruzadas nas mesas, lembro-me das piscinas intermináveis na praça, lembro-me de um sem fim de pormenores agora que tento recordar!
Durante muito tempo esteve fechado e com destino incerto. Voltou a reabrir à pouco tempo com uma cara nova, mas fico contente por saber que apesar dos hábitos daqueles que lá se encontravam se tenham alterado com o tempo... continuam a procura-lo, talvez com saudades. E que os unicórnios esses continuam lá, a sobrevoar as mesas. Bons velhos hábitos!
Photo by Ella, Café Central (Painel dos unicórnios da autoria de Júlio Pomar).
Desenho da Praça, by Ella & Mystic à muito muito tempo atrás.
Ella

sábado, 1 de julho de 2006

Para que serve o Amor?


E para que serve o amor, diz-me já.
Serve para perder o medo.

Muito meu amor, Pedro Paixão.
Photo by Elliot Erwitt.
Ella