sexta-feira, 29 de setembro de 2006

Volver II


Almodóvar. Eis alguém que não nos desaponta. Vamos para lá com uma recomendação de "tens mesmo que ir ver!" e sai-se a pensar que "sim senhor, este tipo é mesmo bom". E o que dizer quando assim é? A história é uma tragico-comédia fantástica (que me recuso desde já a revelar), o elenco é perfeito, e os pormenores e a forma como os capta são divinais. Só a banda sonora não superou as espectativas. Lanço um desafio... existe outro realizador capaz de captar a essência feminina? Que me lembre e pensando um pouco, nenhum outro me ocorre. Só ele consegue filmar essa estranha aura feminina sem cair nos eternos clichés. As suas mulheres não são bonitas, são reais e por isso mesmo, lindas. Cada uma delas... é a minha avó, a minha mãe, a minha amiga... ou mesmo eu. Somos todas elas e ao mesmo tempo nenhuma delas.
Ella

Volver I


E se podesses volver por um instante apenas?


Ella

quinta-feira, 28 de setembro de 2006

Falsas mentiras!


Ontem fui ver um filme de terror. Daqueles classificados para maiores de 16 anos. Estranho, eu classificaria o filme para maiores de 3 anos. Assim teríamos reacções do tipo: "-papá, quem são aqueles monstros que estão a dar cabo do nosso planeta? -sou eu filho, eu e a tua mãe, a tua família, os teus amigos e os meus, somos todos monstros e estamos a acabar com o mundo! -aiiiiii, pai, fiz chichi nas calças....." bom, talvez para maiores de 6. Fui ver An Incovenient Truth. Estava melancolicamente à espera de um filme documentário choque típico à la Michael Moore, sem o carisma deste e com um sujeito que "costumava ser o próximo presidente do EUA" (Al Gore) à procura de alguma atenção mediática sobre o assunto morno do Aquecimento Global. Descobri que o tal ex-não-presidente é militante deste assunto desde a sua tenra idade, que faz desde muito uma campanha de informação por todo o mundo, apoiado em factos científicos e catástrofes naturais. Descobri que o Aquecimento Global é afinal um assunto muito quente e a precisar de urgente atenção (consequências muito graves daqui a 10 anos). Descobri que é impossível ficar insensível aos factos não científicos que ocorrem por todo o mundo e mesmo à nossa volta (viram a praia da Foz este ano? E a neve nas Caldas? E os fogos?) Descobri que uma vontade geral e uma motivação política podem resolver isto tudo. Descobri que deve partir de nós, individualmente.
E depois disto, vou desde já começar a minha própria campanha anti Aquecimento Global. Passo 1: Vão ver o filme!!! É muito angustiante e esclarecedor. Vão mesmo ver. Mesmo!
link: www.climatecrisis.net Mesmo!!!!!

LOUIS defensor da Terra!

terça-feira, 26 de setembro de 2006

Felizes Acasos


Quando à exactamente 26 anos decidiste nascer, eu ainda crescia calmamente na barriga da minha mamã. Quando quase 3 meses depois me obrigaram a abandonar o conforto do lar materno, tu já fazias as delícias da famille. E ninguém na altura poderia supor que duas crianças separadas por cerca de 1800 Km poderiam alguma vez se encontrar. Mas a vida tem muitas estradas, e a que te trouxe até mim foi abensoada por outra história de amor. A prova mais que provada que Amor gera Amor. Quiçá um dia, também a nossa gere outras histórias de amor. Parabéns meu amor! E se este post parecer piroso... meus queridos... "Todas as cartas de amor são Ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem Ridículas." (Fernando Pessoa)
Ella

domingo, 24 de setembro de 2006

Sleepover


Antes ela aninhava-se em mim, pegava no chico pelas orelhas, pedia-me sempre a mesma história e chucháva no dedo. Hoje, já não se aninha em mim, o chico está velho, já não chucha no dedo e nem me pede uma história. Hoje ficamos acordadas em longas conversas. Revejo a menina que fui na menina que ela é. Nos seus problemas, nas suas dúvidas e na sua alegria. Tento mostrar-lhe o mundo sem tabus, para que possa escolher em consciência os seus princípios e estar preparada. Fico feliz com as minhas mulherzinhas. Por serem mulheres. Por serem fortes. Por serem meninas.
Ella

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Futuro?



Dory: ... Everything's gonna be all rigth!
Martin: How do you know? How do you know something bad isn't gonna happen?
Dory: I don't!

Finding Nemo

Acabou. Hoje são os primeiros passos num novo ciclo. Primeiro no escuro, agora o sol já despertou e os primeiros raios atordoam os sentidos. A angústia do incerto. A angústia de andar sem saber onde colocamos os pés e de quem vai descobrindo o seu caminho aos poucos. A falta daquela mão que nos acaríciava a cabeça e dizia... vai correr tudo bem! Mesmo que não corresse, sentia-se a segurança de podermos errar porque a rede estava por baixo de nós. Será que ainda lá está? Talvez a angústia seja essa incerteza. Não é o medo do futuro, é o peso, a obrigação de nos realizarmos. As esperanças que depositam em nós. A vontade de existirmos. De fazermos. De sermos. E ao fundo a paz do que passou. A certeza de que não estamos sozinhos. E o conforto de sabermos que podemos recomeçar.


Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa, tudo sempre passará
A vida vem em ondas, como um mar
Num indo e vindo infinito
Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo no mundo
Não adianta fugir
Nem mentir pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar

Como Uma Onda,
Lulu Santos.
Photo Micas "rolling".
Ella

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

The Pillowman

Numa palavra... BRUTAL! Não encontro outra forma de descrever esta peça. A premissa é simples, "num regime totalitário um escritor é interrogado acerca do conteúdo grotesco dos seus contos e das suas semelhanças com uma série de homicídios infantis que estão a acontecer na sua cidade." E a simplicidade acaba aqui. Um texto de um densidade e complexidade psicológica tal que nos deixa desconcertados. De modo que nem consigo escrever pois tudo me soa demasiadamente redutor. E talvez o mais importante não seja apenas a história em si, mas todas as perguntas que vão surgindo. Poderá um artista ser responsável pelo que as suas obras provocam nos outros? Poderão as vivências da infância ser desculpa para o adulto em que nos tornamos? As histórias de Katurian são macabras (o Tim Burton faria um bom filme disto!), arrepiam e cortam a respiração, mas o que está para além das histórias é de uma grande humanidade. Pillowman é personagem de uma dessas histórias,"um herói" simpático, "feito de almofadas que encoraja crianças a suicidarem-se para não terem que viver vidas terríveis." Estranho e dolorosamente reconfortante saber que as crianças poderiam fugir a um sofrimento maior e que não morriam sozinhas, mas segurando a mão deste fofo e sorridente ser. Enfim, vão querer rir, mas também vão querer chorar.
A peça é da autoria do dramaturgo britânico Martin McDonagh, e foi a estreia nas lides da encenação do realizador Tiago Guedes (Coisa Ruim). Os actores foram escolhidos a dedo, e as personagens assentam-lhes como uma luva. Enfim... nada a criticar. A não ser o nó no estômago com que se saí da peça. Adorei. Ficam duas palavras... não percam!

The Pillowman - O Homem Almofada
Teatro Maria Matos até 15 de Outubro
Encenação: Tiago Guedes.
Interpretação: Albano Jerónimo, Gonçalo Waddington, João Pedro Vaz, Marco D'Almeida.

Ella

sábado, 16 de setembro de 2006

Concertos para todos os gostos!


Como não há fome que não dê fartura este ano vamos ter muitas visitas interessantes... façam as vossas escolhas e bons concertos! Até jazzzzzzzzz...

Chick Corea & Gary Burton, "Duets"
22 de Set. no Coliseu de Lisboa
23 de Set. na Casa da Música no Porto

Bernardo Sassetti, Mário Laginha & Pedro Burmester, "Os três pianos "
4 e 5 de Out. no CCB em Lisboa

Dave Douglas Quintet, "Meaning and Mystery"
29 de Out. na Casa da Música no Porto

João Bosco & Gonzalo Rubalcaba
com Ney Conceição (b), Kiko Freitas (bat)
5 de Nov. no CCB em Lisboa

Wayne Shorter Quartet
com Danilo Perez, (p), John Patitucci (ctb), Brian Blade (bat)
8 de Nov. no Guimarães Jazz
9 de Nov. na Culturgest em Lisboa

Marc Ribot, "Spiritual Unity"
9 de Nov. na Casa da Música no Porto

Patricia Barber, "Mythologies"
11 de Nov. no Teatro Circo em Braga
12 de Nov. na Aula Magna em Lisboa

Abdulah Ibrahim Trio
com Belden Bullock (b),George Gray (bat)
11 de Nov. no Guimarães Jazz

Keith Jarrett Trio, "Standards"
com Jack DeJohnette (bat), Gary Peacock (ctb)
12 de Nov. no CCB em Lisboa

Andrew Hill Sextet
com Byron Wallen (t), Jason Yarde (sa), Denys Baptiste (st), John Herbert (ctb), Eric McPherson (bat)
16 de Nov. no Guimarães Jazz
26 de Nov. na Culturgest em Lisboa

Richard Galliano, "Piazzolla Forever"
com Hervé Sellin (p), Jean-Marc Philips (v), Sébastien Surel (v), Jean-Marc Apap (v-alto), Henri Demarquette (vcelo), Stéphane Logerot (ctb)
17 de Nov. no CCB em Lisboa

Charlie Haden Liberation Music Orchestra
com Carla Bley (p), Miguel Zenon (sa), Matt Wilson (bat), Michael Rodriguez (t), Tony Malaby (st), Curtis Fowlkes (trb), Seneca Black (t), Steve Cardenas (g), Vincent Chancey (trompa), Chris Cheek (st), Joe Daley (tub)
18 de Nov. no Guimarães Jazz

Madeleine Peyroux
18 de Nov. no CCB em Lisboa

Maria Schneider Orchestra "250 anos Mozart"
7 de Dez. no CCB em Lisboa


Digam lá se não é dificil escolher?!

Ella

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

A Última das Românticas

(que é como quem diz O Último Romântico com as alterações deliberadas!)


Só falta abandonar a velha escola
Tomar o mundo feito Coca-Cola
Fazer da minha vida
Sempre o meu passeio público
E ao mesmo tempo fazer dela
O meu caminho só, único

Talvez eu seja a última romântica
Dos litorais desse Oceano Atlântico
Só falta reunir a Zona Norte à Zona Sul
Iluminar a vida, já que a morte cai do azul

Só falta te querer
Te ganhar e te perder
Falta eu acordar
Ser gente grande pra poder chorar

Me dá um beijo, então
Aperta a minha mão
Tolice é viver a vida assim
Sem aventura
Deixa ser, pelo coração
Se é loucura, então
Melhor não ter razão!

Sérgio Souza, Lulu Santos e Antônio Cícero
Photo by Ella.

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

From overseas







Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Mensagem,
Fernando Pessoa.

Photos by Louis.