sábado, 28 de outubro de 2006

Para uma amiga



porque por vezes o que os outros pensam ser maldade, pensam ser glaciar determinação de cometer crueldade pode ser, pode ser, pode ser
(Conta-lhe, dá-lhe um exemplo.)
pode ser não mais que amarmos sem regras, demora às vezes uma vida percebermos que o amor não tem afinal regras, pode acontecer que o inferno nos guie por vezes, e sem darmos muito por isso estamos numa busca de selva, à procura de outra coisa, de outra coisa que nem sabemos bem o que é, que simplesmente se assemelha muito ao que já tivemos e queremos preservar, às vezes cometemos erros atrás de erros atrás de erros porque não aceitamos que o encanto terminou, que ficou só terra queimada, não temos já maneira de a segurar
Mulher em Branco,
Rodrigo Guedes de Carvalho
Photo by Elliot Erwitt

domingo, 22 de outubro de 2006

Les temps sont durs pour les rêveurs.

Eva



Ma petite Amélie, vous n'avez pas des os en verre. Vous pouvez vous cogner à la vraie vie. Si vous laissez passer cette chance, alors avec le temps, c'est votre coeur qui va devenir aussi sec et cassant que mon squelette. Alors, allez-y, nom d'un chien! L'homme de Verre


Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain
J'aime bien ce filme. Um filme feliz, colorido de verde esperança e vermelho paixão. Que nos delicia a cada momento e nos deixa de sorriso nos lábios do princípio ao fim. Filmes assim sabem bem e caiem bem em qualquer altura. Mesmo para aqueles que já o viram algumas vezes, revê-lo é sempre uma surpresa. Há sempre um pormenor que nos escapou, um gesto... Foi isso que fiz esta semana, e enquanto escrevo este post acabo de ver o anúncio que daqui a alguns momentos vai passar na RTP1. Pequenas coincidências. Para os cinéfilos que gostam de bandas de sonoras... esta a cargo do talentoso homem dos 7 instrumentos, Monsieur Yann Tiersen, vale a pena ouvir. Bem francesa, com um toque tradicional mas muito jovial, leve, e feliz. Caso não conheçam a obra deste realizador, Jean-Pierre Jeunet, aconselho vivamente a verem o Delicatessen e La Cité des enfants perdus. Filmes menos alegres mas igualmente surpreendentes e repletos de diversos pormenores inventivos e imaginativos captados à sua maneira. E ao que parece o Senhor vai adaptar para o cinema, A vida de Pi, o best-seller do Yann Martel. Aguardemos espectantes portanto!


Make a Wish!

Ella

Friends


When you're in your thirties it's very hard to make a new friend. Whatever the group is that you've got now that's who you're going with. You're not interviewing, you're not looking at any new people, you're not interested in seeing any applications. They don't know the places. They don't know the food. They don't know the activitie. If I meet a guy in a club, on the gym or someplace, I'm sure you're a very nice person you seem to have a lot of potential, but we're just not hiring right now. Of course when you're a kid, you can be friends with anybody. Remember when you were a little kid, what were qualifications? If someone's in front of my house NOW, that's my friend, they're my friend. That's it. Are you a grown up? No. Great! Come on in. Jump up and down on my bed. And if you have anything in common at all, You like Cherry Soda? I like Cherry Soda! We'll be best friends!

The Boyfriend - Part 1,
Seinfeld

sábado, 21 de outubro de 2006

UH LA LA !!!


Sofia Copolla encerra, com Marie Antoinette, a sua trilogia das adolescentes. Depois de As Virgens Suicidas e Lost in Translation - O Amor é um Lugar Estranho, a cineasta apresenta-nos um teen movie épico focado na figura da rainha francesa e ícone historico.

Sofia acolhe-nos no Palácio de Versalhes para uma visita guiada ao mundo do "símbolo do declínio completo de um estilo de vida". Em Marie Antoinette é-nos apresentada a vida da malograda princesa do império austriaco que virá a casar com Luis Augusto, delfim de frança e futuro regente.

Numa abordagem claramente pop e sem se tratar de uma aula de História, vemos a evolução de Marie Antoinette ao longo dos tempos apresentada por Copolla numa vasta palete de cores coadjuvada por uma fotografia sublime e guarda roupa a condizer que acompanha a narrativa como se de uma personagem se tratasse. É impossível ficar indiferente à banda sonora, que mais uma vez surpreende pela frescura e timing perfeito para a situação, misturando inspiração barroca com notas do século XXI dignas de um pub londrino.

Kirsten Dunst interpreta, na segunda parceria com a realizadora, a mulher que se viu rainha de um império ainda teenager, rodeada por um mundo de chantilly e morangos acompanhados por taças de champagne borbulhante, vestidos e sapatos de alta costura ( ou não ;) ), diamantes e perucas extravagantes. É uma boa interpretação da actriz, experimental o suficiente como o filme necessita embora a actriz principal seja mesmo a realizadora.

Vale a pena!

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

Paso Doble


Sabem, quando um menino gosta de uma menina, arranja de novo e com força a máquina de fazer os sonhos de projectar. É como cinema, afinal, de pôr os filmes mais lindos a correr da frente para trás e de trás para a frente, as vezes sem conta que o amor quiser.
À noite, sempre que se sonha a dois, há qualquer coisa de novo que recomeça. Depois, um dia, quando somos grandes, reparamos que sim, que isto foi realmente verdade. ...
Lá longe, o búzio que pousei com a minha mão, toca ainda música. É a melhor de todas que jamais ouvi, porque vem direita do céu.
Por causa disto, sou como tu feliz para sempre.

Recados do Tempo do Menino Jesus,
Pedro Strecht
Photo by Natacha Pisarenko.

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

Para depois não dizerem que não avisei!




Matthew Herbert
vai regressa a terras lusas para apresentar o seu mais recente trabalho já na próxima semana, Scale, dia 18 na Casa da Música (Porto) e dia 19 no Lux (Lisboa). Será que é desta que não vou perder?! I really hope so!



E como se não estivessem já marcados poucos concertos de estrelas internacionais do jazz para este Outono, Mr. Herbie Hancock acho que esta seria a altura perfeita para dar cá um saltinho. Depois de um ano em que já cá tivemos o Brad Mehldau, o Chick Corea, teremos o Keith Jarrett, só cá faltava este peso pesado do piano. O concerto está marcado para dia 16 de Novembro no Coliseu de Lisboa e para dia 18 no do Porto. E o resto grupo será: Vinnie Colaiuta (bat), Nathan East (b) e Lionel Loueke (g).

Não há carteira que aguente tanta cultura musical! Será muito chato pedir prendas de Natal antecipadas????

Ella

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

IV Fórum da Química


O IV Fórum da Química realizar-se-á nos dias 24 e 25 de Outubro de 2006, no Grande Auditório da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

Ver página para mais informações.

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

3 Pianos?


Eu diria três pianistas. Fui ver ontem este concerto de all-stars do piano português (isto soa mesmo "xunga") no CCB repleto de gente. Parece-me que a ideia de juntar um duo de duetos famosos é uma boa aposta mediática! Dois duetos porque o Bernardo Sassetti e o Pedro Burmester apenas tocaram juntos anteriormente em trio (isto tá a ficar bonito...). O terceiro pianista, Mário Laginha, é apresentado no programa como o elemento que liga os dois universos musicais apresentados (clássico VS jazz). O combate começou então com uma "mesa redonda" de 3 pianos com os 3 músicos a alternarem peças em trio, duo e solo. No fim de cada solo, o músico correspondente ganhava o direito de dizer umas palavrinhas ao público e depois "rodava" de piano. Uma organização digna de uma prova de atlétismo! Bem, sarcasmos à parte, é inegável o talento musical de este best-of pianístico que apresentou peças dos antigos duos com compositores desde Bach até Zeca Afonso e deles próprios (curiosamente o Burmester não trouxe nenhuma composição dele). E as peças em trio? Foram poucas. Ninguém disse que seria fácil arranjar um repertório para 3 pianos para fazer um concerto de cerca de duas horas. Mas a verdade é que torna-se um bocado frustrante ver um dos pianistas de mãos a abanar (literalmente) a maior parte do tempo. Felizmente os encores do espectáculo brindaram-nos com algumas peças a 3 bem divertidas e que nos fizeram pensar o quão bom teria sido o concerto se assim tivesse sido desde o início! Portanto achei que os 3 Pianos eram antes de mais 3 pianistas que de vez em quando conseguiram mostrar que 3 monstruosos pianos de cauda têm imensas potencialidades (o crescendo do Bolero de Ravel, que grande poder!!).
PS: Hum, não consigo deixar de pensar o que daria substituir o Burmester por um pianista de jazz e deixarem-se de tretas de alternar peças clássicas com jazz. Não tenha nada contra fusões, antes pelo contrário, mas gosto de misturas que façam realmente sentido como um todo!
PS 2: quero agradecer publicamente ao Mario Laginha que teve a brilhante ideia de fazer um livro com as partituras do seu ultimo disco e à pessoa que estava a vender discos no CCB que me deixou levar um desses livros de graça (eles eram oferecidos na compra do disco)!
PS 3: eu já tinha o disco...original, claro!

LOUIS