segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Pequeno explorador



O mini-moi fez ontem um mês. O meu pequeno explorador gosta de ficar a olhar o mundo de olhos muito abertos como se quisesse engoli-lo de uma só vez. Luzes, cores, vozes, sons, música, rostos, movimento. Tento imaginar o que ele sente. Para quem viveu 9 meses no escuro, apertado, sem fome, sem frio, sem calor e em permanentemente contacto com a sua mamã, o mundo é GIGANTE. Infinito. Daí que seja tão difícil, por vezes, adormecer. Desligar. Como nós na véspera de uma viagem ou de um acontecimento pelo qual ansiamos há muito tempo. Eu sou assim.
O meu filho faz-me lembrar a história do filme A Lenda de 1900. 1900 nasceu, cresceu e viveu num grande barco, sem nunca ser capaz de viver em terra. Para ele, o mundo era grande demais. Oferecia infinitas possibilidades. Um sem fim de oportunidades. Era demais para ele. Também para o meu filho, o mundo apesar de fascinante, é ainda grande demais. É tanta a informação que tem de processar que tem de desligar e fazer reboot. Para isso serve uma mamã. 3, 2, 1... Pufff... Adormeceu. Para o trazer de volta ao aconchego do seu pequenino mundo.



"Take a piano. The keys begin, the keys end. You know there are 88 of them and no-one can tell you differently. They are not infinite, you are infinite. And on those 88 keys the music that you can make is infinite. I like that. That I can live by. But you get me up on that gangway and roll out a keyboard with millions of keys, and that's the truth, there's no end to them, that keyboard is infinite. But if that keyboard is infinite there's no music you can play. You're sitting on the wrong bench. That's God's piano. Christ, did you see the streets? There were thousands of them! How do you choose just one? One woman, one house, one piece of land to call your own, one landscape to look at, one way to die. All that world weighing down on you without you knowing where it ends. Aren't you scared of just breaking apart just thinking about it, the enormity of living in it? I was born on this ship. The world passed me by, but two thousand people at a time. And there were wishes here, but never more than could fit on a ship, between prow and stern. You played out your happiness on a piano that was not infinite. I learned to live that way. Land is a ship too big for me. It's a woman too beautiful. It's a voyage too long. Perfume too strong. It's music I don't know how to make. I can't get off this ship."
Giuseppe Tornatore


P.S. Ou um papá e uma chucha!

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Diga 33

Parabéns Louis!

iphotografia dos pézinhos do mini-moi!

Há alguns anos fizemos uma entrevista para um estudo de uma tese de Psicologia sobre casais e o evoluir das relações com o tempo e a idade. A primeira pergunta era qualquer coisa como descrever a nossa relação numa imagem. Eu que falo pelos cotovelos fiquei calada. Não me conseguia lembrar de nada. Nada me vinha à cabeça. Nada. Posso começar eu?, dizias tu. Tu que ficas sempre calado nestas coisas. "A primeira imagem que me vem à cabeça é um cruzeiro, um barco, uma viagem de barco. Onde vamos navegando de porto em porto, umas vezes com céu azul outras sob tempestade, descobrindo novos lugares, pessoas, coisas. A nossa relação é uma viagem." Tens toda a razão Louis. O nosso amor é uma viagem. Obrigada por teres embarcado comigo nesta aventura. É estranho pensar que ainda há um mês eramos dois. Num mês a nossa vida mudou. É difícil imaginar a nossa vida sem o nosso mini-moi. 

(Correndo o risco de isto ser a coisa mais pirosa que já aqui escrevi!)

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Ontem nas aventuras da Anita mamã...

iphotografia !


Primeiro almoço fora de casa para comemoração do aniversário de casamento dos papás e depois de quase um mês em casa. Escolhemos a Tartine, um restaurante/padaria familiar, simpático e espaçoso não fosse o mini-moi decidir começar a chorar. Que olhem para mim de lado não me incomoda, mas que o meu filho incomode os outros deixa-me um pouco stressada. Em caso disso, a mamã levou todos os tarecos - o carrinho, o wrap sling, e em caso de desespero, a chucha. Tudo correu tranquilamente. Mini-moi de barriguinha cheia durante três horas a dormir. So cool!

Ps. Na foto as deliciosas tartines de limão+merengue e chocolate+leite condensado... 
Nham! Nham!

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Amor e Arte no engenho!

Ok, admito, podem chamar-me fútil ou impulsivo, não interessa. Mas todos temos que admitir que o verdadeiro Amor pelo objecto existe. Aliás, penso que essa noção até proporciona algum conforto e esperança de que a vida não é apenas fazer e usar aquilo que é funcional, mas é também manter um certo culto pelo belo, pela boa construção, pelos objectos duradouros, em que a noção de estilo é equivalente à funcionalidade e praticabilidade desses mesmos objectos ou coisas. 
A isto chamo a verdadeira Arte, neste caso das Coisas. Claro que a arte vem com um preço e pode ser apenas pretexto para nos armarmos ao pingarelho. Mas quando existe genuíno amor existe arte, desculpem a expressão foleira! 
Isto tudo para dizer meus amigos que tive um big crush, amor à primeira vista, grande pancada ou simplesmente um flash quando esta "coisa" apareceu à frente dos meus olhos:


Vim a saber que é uma tokyobike, uma bicicleta citadina super leve e compacta, "com ênfase no conforto em detrimento da velocidade para desfrutar da cidade", segundo as próprias palavras do construtor. Para mim apenas duas palavras: Must have!!! Assim vale a pena viver…corrijo, assim vale a pena andar de bicicleta :)  

À venda no bonito Vélocité Café, com pessoal muito simpático que vende, aconselha e arranja bicicletas e um café que faz descontos aos ciclistas. Arte mes amis!













Photos by Louis / Coffee by Nespresso...

Louis.



terça-feira, 24 de setembro de 2013

A fome e a vontade de comer



E ele não estará com fome?
Hum... Eu cá para mim ele tem é fome!

São as frases mais repetidas sempre que o mini-moi coloca as suas mãozinhas na boca. Não sou mãe há muito tempo mas já percebi que se há coisa que aflige as pessoas é os bébés passarem fome. Não é que eu seja insensível a este problema mundial... Pelo contrário, era flagelo que gostaria de ver erradicado do mundo. Agora quer me parecer que o meu filho está longe de se enquadrar nesta categoria. Quando a minha criança leva as mãozinhas à boca em 95% das vezes não tem fome, tem sim vontade de sentir o consolo e o mimo que sente quando mama. Estamos entendidos? Não me parece porque...

Se calhar o leite não é bom!
Como é que sabes quanto é que ele bebe?!

sábado, 21 de setembro de 2013

A loucura do Sci-Fi em 2013, parte 1/2

A Ella tem insistido que este assunto merece a atenção devida e o seu próprio "post" porque, efectivamente, o facto é notório e inegável:
Este é um Verão "orgásmico" para qualquer fã de ficção científica minimamente digno e atento!!!
Não quero com isto dizer que tenho pessoalmente alguma pancada específica por filmes de ficção científica e que tenha interesse no assunto…...arrrrgh que mentir é feio. Mas tenho que mostrar alguma contenção. Vai ser difícil. E ainda não vi todos os filmes. Vou tentar manter a calma e organizar a listagem por ordem cronológica de visionamento e futuras estreias:


0 - Oblivion, de Joseph Kosinski (o homem de…?? Tron: Legacy, ao que parece. Ok.)


Conta como 0 na lista porque estreou antes do Verão. Mas é Sci-fi e não achei nada mau! Apesar de ter o Tom das Cruzes no comando (que até tem algum jeito mas mais talhado para outros papéis tipo Top Gun e Days of Thunder, se bem que gostei de o ver no Collateral do Michael Mann e Tropic Thunder do Ben Stiller…e vá, no guilty pleasure Jack Reacher! Minority Report e War of the Worlds são também grandes filmaças de sci-fi mas nos quais gostava de ter visto outro actor principal).
Em Oblivion fica para destacar sobretudo o incrível production design que, para mim, conta imenso para bons filmes de ficção científica. Banda sonora apropriada, actores muito decentes e uma história interessante com alguns twists simpáticos. Mas aquela piscina suspensa é que não me sai da cabeça..!

1 - Star Trek: Into Darkness, de J.J. Abrams (o homem de M.I. 3, Super 8, séries Lost, Alias, Fringe, etc)

Para abertura das hostilidades de Verão não está mau (contenção, contenção…)! Depois da brilhante estreia do primeiro capítulo em jeito de reboot modernizado e actualizado com um justíssimo equilíbrio entre homenagem aos clássicos e time-line alternativa para justificar as "infidelidades", esta sequela não lhe fica atrás, agora com um piscar de olhos ao glorioso "Star Trek II: The Wrath of Khan" (de 1982, oh meu Deus!!). Tenho apenas pena que algumas das personagens secundárias não tenham tido mais protagonismo, como no 1º filme. Mas mais num digo, porque, tal como a irmã da Ella, estou a pensar vincular-me ao grupo extremista "Ouvir a banda-sonora antes de ver o filme é SPOILER!!". Ou seja, não irei revelar nada das narrativas dos filmes desta lista, se bem que não resisto em dizer que a banda sonora do filme nº3 da lista é BOMBÁSTICAAAAAA!!!!!!!!!! (contenção, contenção…)

2 - Iron Man 3, de Shane Black (realizador do...Kiss Kiss Bang Bang versão 2005, com o próprio Robert D. Jr e o Val Kilmer gay, muito bom!)


Não é bem Sci-fi mas ao mesmo tempo é. Toda a gente sonha com um computador como o Jarvis, certo? Bom, este número 3 para mim está melhor que os outros, com mauzões um pouco menos patetas com um Mandarim em grande (releio esta parte dos mauzões e, vistas as coisas, parece um total contra-senso para quem já viu o filme)! Talvez tenham exagerado um pouco com o final cheio de...e a Pepper Pots que...ok, nada de spoilers. Resumindo, vale a pena ver nem que seja em casa (agora também não têm outra hipótese), tem os bons momentos do costume com o Tony Stark a precisar de um psiquiatra. Diz que foi o último Iron Man com ele, sem contar com os Avengers. Veremos...

3 - Man of Steel, de Zack Snyder (o homem de 300, Watchmen, Sucker Punch, Dawn of the Dead, etc, grande homem!!)


Ora bem (contenção, contenção). Nem sei por onde começar. Mas há aqui vários factores que me impedem de ser completamente imparcial. Primeiro o cocktail explosivo de Zack Snyder (realizador) + Christopher Nolan (produtor e história) + Hans Zimmer (banda sonora) só podia dar bom resultado. Depois tivemos o privilégio de estrear o IMAX do Colombo com este filme. Oh meu Deus!!!! Aquilo é sempre a abrir, os actores estão perfeitos, os voos do homem de aço dão arrepios na espinha e, o mais importante, voltamos a sonhar sermos um dia o Superhomem. Saímos da sala com um sorrisinho estúpido nos lábios, mesmo depois de apanhar uma carga de porrada de décibeis e descolagens supersónicas. Penso que é tudo o que se pode desejar de um filme de super heróis! E não me venham com tretas de "ah, está muito sério tipo batman, o homem só sorri uma vez no fim do filme, etc etc etc." Não me venham com tretas, apesar de ser o 6º filme do superhomem e o 3º reboot, este é o melhor de sempre e apenas de vislumbra vir a ser superado pelo Man of Steel 2 - Batman vs Superman. Só em 2015….arrrrghhhh.

Continuação num próximo post que isto já vai longo. Que grande Verão, pena que esteja a chegar ao fim….

Não resisto em colocar um momento glorioso da banda sonora do Hans Zimmer, digam lá que isto não dá arrepios!



Louis sci-fi freak

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Música muito boa


Não é todos os dias que apetece falar apenas de um disco. Mas, felizmente, existem excepções. Para mim, a dificuldade em descobrir o disco perfeito é o impossível desafio entre um primeiro impacto “whaaauuu”, um segundo impacto “maaaannnnnnn” e um terceiro impacto “fod........ssssssssssssss que isto é muita bom”. Traduzindo as onomatopeias pouco claras, é um equilíbrio perfeito entre originalidade, groove vs qualidade e o quanto continua interessante ao fim de uma semana a ouvir incessantemente o mesmo disco. Falo do incrível “Shadow Theater” do fascinante pianista (e mais novo do que eu uma porrada de anos....!!!) Tigran Hama...coiso. Vá, faço o esforço porque o moço merece, Tigran Hamasyan. Um jovem prodígio arménio que, pelos vistos, para além de ser um pianista explosivo é um compositor (e esteta!) do caraças. Fez um disco que não se pode dizer que seja de jazz, é sim uma mistura entre música tradicional, pop, rock progressivo e....também jazz! Vá, para os sépticos do costume, sim tem voz, não é só instrumental. Mas não se percebe nada da letra, aviso já. Têm aqui o link do spotify com o disco completo, façam um favor a vocês mesmo e ouçam isto com alguma atenção e abertura de espírito, vão ver que a viagem vale mesmo a pena!


 Já agora se gostarem mesmo comprem o disco. Viva o cd! 
Por vezes sinto-me mesmo velho...



Louis


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Os velhos

Como diria o Schrödinger's cat, "o tio Alberto".


Os velhos - lamento, mas detesto a palavra idoso - são chatos, teimosos e só fazem o que querem. Bem sei que, um dia, também eu serei velha, chata e teimosa mas não há paciência para os aturar. A minha avó é muito boa pessoa mas nos últimos tempos consegue levar a minha paciência ao limite. Confesso que até poderia achar anedótico se não fosse ser a minha avó... 

ella: Vou oferecer-te uma bengala.
avó: Bengala?
ella: Sim, para não andares a tropeçar e a cair.
avó: Não quero, isso é para os velhos. Eu lá tenho idade para andar de bengala! 

avó: Telefonou o senhor para dizer que a lápide estava pronta e eu fui lá busca-la.
ella: Foste lá busca-la?
avó: Sim.
ella: Como?
avó: Trouxe-a no carrinho das compras.

ella: Achas que havia necessidade de ires à hora de almoço com 38ºC ao cemitério a pé toda vestida de preto e de manga comprida?
avó: Não estava assim tanto calor e eu levei o chapéu na cabeça.

A sério?!
Haja paciência!


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

E assim passou mais um Verão...

O último domingo de Agosto foi de despedidas. Do Verão. Dos mergulhos. Dos amigos. Da vida a dois. Estava um belo fim-do-dia... Ficamos à espera de recuperar mais dias assim e de partilhá-los com os amigos e o nosso pequeno mini-moi









Todas as fotos são do Louis e foram tiradas no Baleal (Peniche).


Mr.T & Bomba conquistem Itália!
Deixo-vos uma palavra de incentivo...
NUTELLA!
Tenho dito. E não se esqueçam de mim.


terça-feira, 17 de setembro de 2013

De Portugal

Ontem dei de caras com esta entrevista da Anabela Mota Ribeiro à Clara Ferreira Alves. Um retrato de Portugal que penso que todos deveriam ler. Duas mulheres muito interessantes... A Anabela Mota Ribeiro conduz entrevistas como poucos são capazes de fazer, onde se destaca não só pela dedicação com que as prepara mas também pela espontaneidade. E a Clara Ferreira Alves - o que dizer desta Senhora?! - é uma referência.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Vivendo e aprendendo


Na foto Audrey Hepburn.


Passaram duas semanas de aprendizagem constante. Dizem que o papel dos pais é ensinar mas, na realidade, até agora tem sido aprender, aprender, aprender. Parece tudo tão simples, mas as variáveis são tantas. Entre as famosas dores tortas que atacaram logo após o parto e me fizeram implorar por mais epidural. Um bébé dorminhoco, impossível de acordar e umas enfermeiras rigorosas com a hora da comida. A famosa subida do leite que começou no dia em que saímos da maternidade e que, ao contrário do mini-moi, me fez passar uma noite em claro. O pós-parto. O cansaço. As cólicas. Os avós. As saídas de casa impossíveis de planear. E todo um mundo de outras pequenas coisas. Enfim... Têm sido duas semanas a aprender a conhecer o nosso mini-moi e a aprender a ler os seus sinais. Ser Pai aprende-se. Na maioria das vezes por tentativa e erro. Outras por instinto. E em caso de dúvida com o coração. Algo me diz que será sempre assim.


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

For the colorful

Para não se falar só de bébés, fraldinhas, cólicas e afins... Aqui vos deixo a última colorida criação da apple, o iPhone 5c. Aquele que, dizem, será o iPhone lowcost. Quanto a isso não sei e tenho dúvidas, pelo menos em Portugal graças às "nossas" operadoras móveis e ao contrário de muitos países ter um iPhone ainda é um luxo. E quem me conhece sabe como sou ultra-sovina no que toca a gastar dinheiro no geral e, em particular, com telemóveis. O que é certo é que antes achava que receber e fazer chamadas era tudo o que eu precisava... Estava tão enganada. Hoje sou dependente do meu iphone'zinho herdado do Louis. Dá-me muito mais coisas do que eu poderia imaginar. Enfim... Todo um mundo de aplicações sem as quais poderíamos viver mas não seria a mesma coisa. De qualquer modo estes 5c são girinhos, girinhos de ver. E de certeza mais fáceis de encontrar na mala.








E pronto, agora vou ali dar de mamar.
É verdade, o que não faltam são aplicações para quem dá de mamar poder controlar o tempo entre e durante, assim como qual das mamas. Coisas muito práticas quando se acorda a meio da noite com uma pedrada de sono e já não nos lembramos do que fizemos 4 horas atrás. Acreditem, vão por mim!
 Eu uso a da Pais&Filhos que é grátis, mas há muitos outros.


domingo, 8 de setembro de 2013

Uma semana depois...

Foto do Louis.


Estou aqui sentada no sofá a ver o meu filho dormir. Num instante passou uma semana. O meu filho tem uma semana. O meu filho. Ninguém nos prepara para esta avalanche de sentimentos. Ainda é difícil acreditar que tudo passou. Que está aqui, connosco.
E enquanto as hormonas do "esquecimento" não começaram a actuar vamos ver se ainda consigo colocar a história de pé...
Tudo começou com uma mãe incrédula de que estaria efectivamente em trabalho de parto, um pai em negação, e um dia de contracções irregulares que se foram regularizando aos poucos. Quando finalmente o pai se convenceu, pelo sim pelo não, metemo-nos no carro rumo a Lisboa enquanto ouvíamos na rádio o concerto do Carlos do Carmo no Festival do Crato. Ao chegarmos, como as contracções já estavam de 5 em 5 minutos e cada vez mais intensas, decidimos fazer uma visita à Maternidade para tirar as dúvidas. Com a descontracção e a calma de quem achava que a iam mandar para casa enganei a enfermeira da triagem, mas o CTG e os 3 cm dilatação não deixavam dúvidas... O mini-moi ia nascer. Depois da bendita epidural foi esperar que a dilatação chegasse lá. A noite foi passando e ao nascer do dia, assim do nada, tinha as médicas a dizer-me para fazer força. Nós incrédulos. Mas é agora? Rapidamente perceberam que iam precisar de ajuda para fazer nascer este pacotinho de 3,780g.  Em pouco tempo e uma ventosa depois, o mini-moi estava cá fora. O meu grande peixinho nasceu ainda dentro do seu aquário. Tudo assim... Muito, muito, muito intenso. Num instante. Não senti dor, mas senti tudo. E sentir tudo, chega a doer. Tenho hoje um respeito enorme pela minha mãe e por todas as mães que passaram por isto sem epidural. Como é que é possível? E como é que é possível a nossa cabeça não explodir com um aneurisma? Mistério. Enfim... Segundo as médicas para primeiro filho todo o processo não poderia ter corrido melhor, eu continuo a achar que a nossa evolução tem de continuar... Isto não pode ser a melhor solução.
Ao contrário do que tinha pensado não chorei quando o vi pela primeira vez quando o colocaram em cima da minha barriga. Chorei momentos mais tarde quando o vi vir ter comigo ao colo do Pai e ficamos, por fim, os três.


Estrela da tarde
de José Carlos Ary dos Santos

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia

Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram

Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto

Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto.



Carlos do Carmo & Bernardo Sasseti

quarta-feira, 4 de setembro de 2013